Preços do café recuam nas bolsas internacionais com chuvas favorecendo lavouras no Brasil

Lavoura de café no Brasil após chuvas intensas, representando o impacto do clima nos preços do café no mercado internacional.

Os preços do café registraram queda nas bolsas internacionais nesta terça-feira, acompanhando o movimento já observado no pregão anterior. O principal fator por trás do recuo foi o avanço das chuvas nas regiões produtoras do Brasil, que trouxe alívio ao mercado em relação ao desenvolvimento da safra de 2026.

Com a melhora das condições climáticas, as preocupações com riscos produtivos diminuíram, pressionando as cotações tanto do café arábica, negociado em Nova York, quanto do robusta, negociado em Londres.

Alívio climático reduz tensão no mercado

De acordo com dados do portal Barchart, as precipitações registradas nos últimos dias contribuíram para reduzir o risco climático que vinha sustentando os preços. Nas primeiras horas do dia, os contratos futuros de café chegaram a recuar mais de 1%, refletindo o cenário mais favorável nas lavouras brasileiras.

Apesar do movimento de baixa, o mercado segue atento à regularidade das chuvas, fator considerado essencial para a consolidação de uma safra mais equilibrada em 2026.

Chuvas acima da média em Minas Gerais

Segundo informações do Climatempo, as chuvas continuam intensas nas principais áreas cafeeiras do país. Em Minas Gerais, maior estado produtor de café arábica, o volume acumulado na semana encerrada em 12 de dezembro foi de 79,8 milímetros, o equivalente a 155% da média histórica para o período.

Essas condições meteorológicas ajudam a aliviar parte das preocupações com o potencial produtivo da próxima safra, embora analistas ressaltem que o acompanhamento climático permanece fundamental nas próximas semanas.

Cotações do arábica e do robusta em queda

Por volta das 9h40, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2025 do café arábica registrava queda de 390 pontos, sendo negociado a 383,80 cents por libra-peso. O vencimento março de 2026 recuava 400 pontos, cotado a 356,30 cents por libra-peso, enquanto maio de 2026 operava a 340,80 cents por libra-peso, com baixa de 395 pontos.

No mercado de robusta, as perdas também foram significativas. O contrato janeiro de 2026 caía US$ 89, cotado a US$ 3.953 por tonelada. Já os vencimentos março e maio de 2026 recuavam US$ 62 e US$ 63, negociados a US$ 3.861 e US$ 3.791 por tonelada, respectivamente.

Nova York registra menor nível em três semanas

Na segunda-feira anterior, a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York já havia encerrado o pregão em forte queda. Os contratos de café arábica atingiram os menores níveis das últimas três semanas, refletindo tanto a melhora climática no Brasil quanto a queda nos preços do petróleo, que reduz o apetite dos investidores por commodities.

O contrato março de 2026 fechou a 360,30 cents por libra-peso, com queda de 2,4%, enquanto o vencimento maio de 2026 encerrou a 344,75 cents por libra-peso, também com recuo de 2,4%.

Estoques globais ainda preocupam

Apesar do alívio trazido pelas chuvas, analistas ressaltam que os fundamentos do mercado global de café continuam sensíveis. De acordo com o Escritório Carvalhaes, os estoques mundiais seguem apertados, e as incertezas climáticas em diferentes países produtores ainda representam riscos.

Segundo o analista Marcelo Moreira, da Archer Consulting, mesmo com a estimativa da consultoria Hedgepoint projetando uma safra entre 71 e 74 milhões de sacas em 2026, a produção global ainda não seria suficiente para recompor os estoques de forma confortável.

A Archer Consulting aponta que a relação entre estoques e consumo mundial só deve retornar a um patamar mais equilibrado, acima de 15%, a partir da safra 2028/2029, desde que o Brasil mantenha produções elevadas nas próximas três temporadas.

O que esse movimento significa para o consumidor

Oscilações nas bolsas internacionais fazem parte do mercado de café e refletem fatores climáticos, logísticos e financeiros. Para quem consome café no dia a dia, esses movimentos ajudam a explicar por que o valor do grão varia ao longo do tempo, mesmo quando a xícara continua sendo um ritual constante.

Mais do que preços, o cenário reforça a importância de valorizar cafés de origem, com rastreabilidade e torra cuidadosa, que respeitam todo o processo, independentemente das flutuações do mercado.

E é nesse ritual diário, feito com atenção e bons grãos, que o café ganha significado. Os cafés da Verena Café acompanham esses momentos com torra fresquinha, qualidade e respeito ao tempo do café e de quem o prepara.

FONTE
Portal do Agronegócio

RELATED ARTICLES

Deixar um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor, note que os comentários devem ser aprovados antes de serem publicados